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Campus de Goiabeiras, Vitória - ES

Seminário reúne atingidos e faz balanço dos 2 anos da tragédia de Mariana

Passados 2 anos do maior crime-tragédia envolvendo barragens de rejeito de mineração do mundo, a Ufes sedia o Seminário de Balanço de 2 anos do Rompimento da Barragem de Fundão , nos próximos dias 6, 7 e 8 de novembro. O evento, que acontecerá no Auditório do IC2, no Campus Goiabeiras, em Vitória, reúne atingidos, pesquisadores e autoridades e contará com uma audiência pública e a redação da Carta de Mariana.

O seminário reunirá os atingidos pelos cerca de 60 milhões de m3 de rejeitos da mineradora Samarco S.A, uma joint-venture entre as corporações brasileira Vale S.A e a anglo-australiana BHP Billiton. O objetivo do evento é possibilitar o encontro dos atingidos na chamada tragédia de Mariana, que atingiu toda a extensão do Rio Doce. Também participam do Seminário pesquisadores brasileiros, representantes de movimentos sociais e autoridades que se posicionam criticamente em relação ao Rompimento da Barragem de Fundão.

Segundo uma das organizadoras do Seminário, Cristiana LoseKann, “a ideia central do seminário é criar um espaço onde se construa um balanço das medidas de reparação aos atingidos que, ao longo desses dois anos, não têm tido visibilidade, considerando que as empresas ainda não indenizaram os afetados e não iniciaram um processo de reparação do Rio Doce”, destaca . A dimensão territorial e as diversas reações dos atingidos vêm, inclusive, mobilizando “comunidades que vivem no entorno de outras barragens para compreender os impactos da atividade de mineração em seu cotidiano”, acrescenta Losekann, que é pesquisadora e professora de Ciências Sociais na Universidade Federal do Espírito Santo.

 

Carta do Rio Doce

Durante os três dia do seminário, as mesas de debate contarão com uma metodologia participativa, que consiste numa dinâmica de escutas aos modos de sobrevivência criados pelos atingidos, além do debate às formas de violações aos direitos humanos por atividades empresariais. Após o encontro, será elaborada a Carta do Rio Doce, resultado das contribuições expressadas de modo aprofundado pelos atingidos e do balanço político-institucional dos 2 anos do rompimento da Barragem de Fundão.

Também constará na Carta um balanço de reparações e reações dos atingidos, das dinâmicas territoriais e atuação de corporações e violações de direitos. “Um dos pontos que nos preocupa são os princípios e ideias norteadoras do processo de reparação de um desastre como esse. Um deles é o princípio da centralidade do sofrimento da vítima e que deve constar na Carta do Rio Doce ”, explica Cristiana Losekann.

A leitura desse documento será feita na terça-feira, dia 7, segundo dia do evento, a partir das 20h30, no Auditório do IC2, na Ufes, onde o seminário acontece.

 

Audiência Pública

No último dia do Seminário de Balanço de 2 anos do Rompimento da Barragem de Fundão , dia 8 de novembro, quarta-feira, será realizada uma audiência pública convocada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal. Com o tema “Direitos Humanos e Empresas: Qual é a políticas pública que o Brasil precisa?”, a audiência ocorrerá das 9h às 17h, no Auditório do Centro de Educação Física e Desporto, da Ufes. O objetivo da audiência é colher subsídios para a elaboração e execução do plano de ação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na área de promoção e proteção dos direitos humanos em relação a atividades desenvolvidas por empresas mineradoras. A audiência vai reunir os atingidos do desastre-crime de Mariana, além de representantes do governo, do Senado Federal, pesquisadores, membros de organizações internacionais, sindicatos e vítimas de violações aos direitos humanos por atividades empresariais.

O Seminário tem como organizadores o Organon (Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Mobilizações Sociais do Departamento e do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFES), Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, Universidade Federal da Ouro Preto, HOMA (Centro de Direitos Humanos e Empresas), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais – GEPSA - Universidade Federal de Ouro Preto, Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS - UFJF), Justiça Global,  Comitê Nacional em Defesa dos Territorios Frente à Mineração, Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais – GESTA, vinculado ao Departamento de Antropologia e Arqueologia da FAFICH/UFMG e o Ministério Público Federal.

A programação completa do Seminário está disponível aqui.

Para saber mais acesse a página do Seminário de Balanço de 2 anos do Rompimento da Barragem de Fundão.

A audiência será transmitida ao vivo, pelo canal do Organon no Facebook.

 

Assessoria de Imprensa:

Fabricio Fernandes

Contatos: 27. 9.9698-5383 / contato.seminariodebalanco [at] gmail.com

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